
__Aqui, onde estou, tudo parece diferente. Tudo parece ganhar proporções singularmente assustadoras e, enquanto penso nisto, sou invocado para testemunhar a morte de mais um dia. O relógio na parede não parou para pensar em mim...
__Em poucos minutos devo estar preparado; não para recomeçar, mas para continuar sem me preocupar com a dimensão de certas coisas - nem todas são assustadoras; nem todas são coisas.
__Sinto, aliás, pressinto o amanhã cada vez mais presente no meu modo de agir e pensar, no entanto, a vida não me permite entender o processo. Sim, o relógio continua lá, me observando com seus ponteiros apressados... falta pouco.
__Agora começo a entender por que minha felicidade é tão relativa - minha razão de ser tão ensimesmado é, também, muito relativa - e por que devo estar mais concentrado e presto, pois o dia convalesce enquanto outro nasce, à minha espera. Presto, eu disse!
__Falta pouco... muito pouco...
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(R. Calvet)
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(R. Calvet)

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