quinta-feira, 1 de maio de 2008

Abrindo gavetas

Há pouco tempo decidi abrir gavetas. Esvaziá-las.
Algumas prateleiras empoeiradas, repletas de reminiscências, também foram alvo de uma certa faxina pessoal. Acho que tenho uma mórbida mania de guardar tralhas em minha memória, coisas sem valor que vejo por aí em minhas vivências. Mas nem tudo – ao menos creio assim – é tão inútil assim. O que não foi rasgado ou queimado, nem jogado ao mar, emerge em algumas telas de computador, em algum lugar, a qualquer momento.

Não gosto de tudo o que escrevo. Apenas tento evitar a oportunidade de registrar em guardanapos, folhas amassadas e frias páginas do Microsoft Word o que vejo e penso, pelos lugares onde vou passando. Confesso, ainda, que até gosto de alguma coisa, como certos haicais – alguns imemoriais – e outros textos sem razões aparentes.

Começo a semear agora o que ficou guardado por tanto tempo; assim, quem sabe, algo floresça.


Grande grande abraço a quem quer que seja.


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Das coisas que nunca mais teremos


Um menino-poeta
rabisca sonhos lilases
em folhas de vento.
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Seus pequenos olhos
refletem o brilho
das coisas esquecidas
como as canções
perdidas no tempo.
(Rafael Calvet)

Um comentário:

Nani disse...

Não existe presente sem passado. Todo mundo, muito ou pouco, guarda tralhas sim. E quando se tem filhos, algumas dela ganham importância redobrada, como uma espécie de faixa de miss, que precisa ser repassada para a beleza da hora que chega, que é outra, mas que carrega consigo "aquela" faixa... a referência de que mudam as pessoas, mas algo fica, algo passado, algo em comum.
Fico muito feliz que de alguma forma haja teu registro pro futuro.
TE AMO.