sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Pedra-Flor

Eu diante da pedra
que o poeta me ensinou:
"teu sangue é o cinzel
que a pedra torna flor".
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Eu diante da flor
que a vida espera
levar do cheiro e da cor
que fluíam do fundo da pedra:
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Eu pintando a pedra
com um sonho furta-cor
como a vida-minha, essa quimera,
que anseio por tornar flor.
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Eu, como a flor,
espírito feito de pedra,
respiro e assimilo a dor
numa constante e ansiosa espera
pela alma gêmea, meu clamor;
pela vida despida de dor;
um sonho, pulsante, ardor;
os olhos salgados de amor
e o coração libertado da guerra.
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(Rafael Calvet)

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