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domingo, 4 de abril de 2010

De volta à virtude - mesmo que virtual.

___Distante de mim mesmo pelo tempo que me consumia. Eu sumia.
___Várias ideias (agora, sem o acento agudo!) apelavam por papel que as acolhesse, por internet que as difundisse, mas não houve tempo, não houve tino, não houve haveres. Simplesmente quedei-me na acomodação e deixei que tais e tantas ideias viessem, latejassem e partissem. "Mea culpa"!
___Estou de volta.
___Estou com pressa. Pressa de fazer algo acontecer - ainda não sei exatamente o quê. Sinto, aliás, uma invencível e incomparável necessidade de extravasar muita coisa. Sobre meus cansaços, sobre minhas angústias, sobre aquilo em que acredito e sobre o que já me fez perder a fé. Não em Deus, mas em minhas possibilidades. Finalmente percebi que sou finito.
___Há tempos venho pensando e só.
___Vou tentar retomar o papel de "percebedor de palavras". Acho que algo me vai fazer muito bem quando deixar de deixar o agora para depois e quando realizar - ao menos na tela ou em guardanapos de papel - o depois agora.
___A todos, "carpe diem".
___A mim - pois já o sei há muito -, "tempus fugit"!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O sono distante

____Tem sido difícil dormir bem. Aliás, simplesmente dormir tem sido muito, mas muito difícil mesmo. Não sei se é o descrédito no sonho - algo que vai muito além da insônia - ou se é a ânsia de não mais perder outro segundo dos milênios que já perdi, que já desperdicei com o sono, com as quimeras...
____Mais que a dificuldade de dormir, tem sido quase doloroso acordar.
____Enquanto isso, os ponteiros do tempo vão fugindo...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Cem razões sem razões - sensações



qual a razão da tristeza que me toma?

por que tanta insistência em corrigir, em refazer - ou desfazer - o passado?

qual o sentido de tanto pregar a paciência, se a minha, aos poucos, se esvai?

por que ainda espero dos outros se mal aposto em mim mesmo?

_

por que faço tantas perguntas que não querem ser respondidas?

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Corpus Christi


_Hoje é véspera de Corpus Christi.

_Amanhã é feriado.

_Para muitos, hoje é véspera de qualquer coisa. O importante é que amanhã é feriado.

_Não vou dar corda em meu relógio.

_Acordarei tarde. Tomarei meu café calmamente, dessa vez, com pão e manteiga. Soprarei a poeira de meus livros. Ouvirei alguma música porque terei tempo de escolher um CD na estante. _Vou ficar com minha esposa e minha filha e guardar a emoção do "Vai com Deus e volte com Deus!" de todos os dias para a próxima sexta-feira.

_Porque amanhã é Corpus Christi. E hoje é véspera de uma paz que eu espero há tanto tempo...

_Experimento um êxtase quase infante, de véspera de natal, com cheiro de panetone e presentes debaixo da árvore.

_Amanhã não me preocuparei se amanhecer chovendo. Não olharei para o relógio. Não escolherei blusas que combinem com a aula que eu não vou dar. Nada de diários de classe, nada de questionários não compreendidos por quem não se compreende.

_Hoje é véspera de mim. Saberei o que pensar, o que fazer. Meditarei em silêncio porque haverá silêncio para a meditação. E paz, sobretudo, PAZ!

_Hoje é véspera de um momento que não é só um feriado.

_Amanhã é Corpus Christi.

_Hoje é véspera de paz!

_Amém.
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_(R. Calvet)

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Alento (ou uma tentativa)




"A vida é tão curta

E a minha capacidade de criar

Tão intensa

E minha alma tão tensa de vier."

(Raul Brandão)


Uma boa caligrafia (suada e sangrada) ou alguns caracteres bem definidos não seriam suficientes para descrever a minha metamorfose. Não aquela metamorfose kafkiana, mas outra, em que tudo começa pelo inseto, não pelo homem: a minha metamorfose!

Repentinamente o tempo mudou o seu ritmo - eu expurguei o meu! - e passou a correr no compasso do meu coração calejado: os anos passados tornaram-se segundos incertos e abomináveis. Agora o tempo é um constante déjà vu. Eu sou um déjà vu! Eu sou o grão de areia rebelde que fugiu da ampulheta trincada.

Eu procuro dunas...

Bem sei que tudo aquilo que já escoou não retornará, nunca mais, ao cone superior... Nunca mais; a não ser quando invocado pelo tédio da memória ou pela incompreensível ânsia de saborear, desesperadamente, o fel oculto do desejo. Não saberia explicar como fui capaz de suportar, por tanto tempo a angústia de sentir que... É, talvez a minha metamorfose tenha começado a se manifestar antes do que eu supunha, e o então profundo entorpecimento dos meus sentidos camuflaram, convenientemente bem, cada gesto vazio, cada passo incerto, cada riso conivente e maldito.

Destarte, a percepção definitiva de que a minha fase é um fato, faz dos meus gestos verbos mais concisos; dos meus passos imprecisos um motor impulsionado pelas incertezas; do meu riso - virtude dos que ainda não entregaram a alma ao cansaço - um anseio constante para quem não é tão estóico assim.


R. Calvet