domingo, 31 de maio de 2009

O Velho na Calçada



Sentado, aos pés do luxo,


jeito de achar-se lixo,


um homem sem nome,


um velho:


Mãos calejadas estendidas;


olhos suplicantes,


marejados e desiludidos;


voz rouca, distante,


perdida - "Por favor, moço..."


O Velho pede um olhar fraterno.


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As roupas rasgadas e desajustadas,


(nojo de quem passa)


a pele suja e maltratada,


(desprezo de quem vê)


cheiro de quem não sonha mais:


(pesadelo de todos)


o Velho. Um velho.


_


Sente-se nada ou nada mais do que um bicho.


Bichos são homens-seres sem nome


que saciam a inesgotável fome


no lixo!


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O Velho olhou para mim.


Fraternalmente, um velho olhou para mim...


Mas não consegui lhe dar


mais do que uma moeda...




(Rafael Calvet)
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___Já se passou muito tempo, desde que esta epifânica situação me arremessou contra a folha de papel e minha máquina de datilografar...
___Creio que o velho de então já não mais existe. Mas a situação, esta, insiste!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O sono distante

____Tem sido difícil dormir bem. Aliás, simplesmente dormir tem sido muito, mas muito difícil mesmo. Não sei se é o descrédito no sonho - algo que vai muito além da insônia - ou se é a ânsia de não mais perder outro segundo dos milênios que já perdi, que já desperdicei com o sono, com as quimeras...
____Mais que a dificuldade de dormir, tem sido quase doloroso acordar.
____Enquanto isso, os ponteiros do tempo vão fugindo...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

sobre mim


_

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sobre a mesa

papéis

sobras

de mim

sobretudo.

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compromissos,

sem promessas,

ou premissas

de mim

contudo.

_

sobre mim,

sobram

os entretantos.

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(Rafael Calvet)