domingo, 31 de maio de 2009

O Velho na Calçada



Sentado, aos pés do luxo,


jeito de achar-se lixo,


um homem sem nome,


um velho:


Mãos calejadas estendidas;


olhos suplicantes,


marejados e desiludidos;


voz rouca, distante,


perdida - "Por favor, moço..."


O Velho pede um olhar fraterno.


_


As roupas rasgadas e desajustadas,


(nojo de quem passa)


a pele suja e maltratada,


(desprezo de quem vê)


cheiro de quem não sonha mais:


(pesadelo de todos)


o Velho. Um velho.


_


Sente-se nada ou nada mais do que um bicho.


Bichos são homens-seres sem nome


que saciam a inesgotável fome


no lixo!


_


O Velho olhou para mim.


Fraternalmente, um velho olhou para mim...


Mas não consegui lhe dar


mais do que uma moeda...




(Rafael Calvet)
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___Já se passou muito tempo, desde que esta epifânica situação me arremessou contra a folha de papel e minha máquina de datilografar...
___Creio que o velho de então já não mais existe. Mas a situação, esta, insiste!

2 comentários:

umaspiranteajornalista disse...

Otímo texto professor!!!

Parabéns!!!

Abraço

Flá. disse...

muito boom professor!