Sentado, aos pés do luxo,
jeito de achar-se lixo,
um homem sem nome,
um velho:
Mãos calejadas estendidas;
olhos suplicantes,
marejados e desiludidos;
voz rouca, distante,
perdida - "Por favor, moço..."
O Velho pede um olhar fraterno.
_
As roupas rasgadas e desajustadas,
(nojo de quem passa)

a pele suja e maltratada,
(desprezo de quem vê)
cheiro de quem não sonha mais:
(pesadelo de todos)
o Velho. Um velho.
_
Sente-se nada ou nada mais do que um bicho.
Bichos são homens-seres sem nome
que saciam a inesgotável fome
no lixo!
_
O Velho olhou para mim.
Fraternalmente, um velho olhou para mim...
Mas não consegui lhe dar
mais do que uma moeda...
(Rafael Calvet)
_____________________________________________________
___Já se passou muito tempo, desde que esta epifânica situação me arremessou contra a folha de papel e minha máquina de datilografar...
___Creio que o velho de então já não mais existe. Mas a situação, esta, insiste!

2 comentários:
Otímo texto professor!!!
Parabéns!!!
Abraço
muito boom professor!
Postar um comentário