quinta-feira, 1 de maio de 2008

“Sob o sono dos séculos...”

Silenciosamente, mais uma noite. Mais uma semente plantada para fazer crescer um outro dia. As perspectivas do dia seguinte ganham contornos de angústia, pois as horas são como um carrossel: recomeço; repetições... gira-gira, giramundo e, de novo, tudo.
Sempre tive a vã esperança de que, um dia, o ponteiro dos segundos, em seu trabalho de Sísifo, rebelasse-se contra as leis de Cronos e, surpreendentemente, quebrasse as barreiras das expectativas entediadas. “Tic, tac, 58, 59, tic, 60, tac, 61, 62, tic, tac...” Enfim, o esboço de transformação! O tão esperado “agora vai”!
Mas não.

As horas vão e vêm; depois vão novamente para, em seguida, virem no mesmo e enfadonho giro do carrossel.
Sou obrigado a ter pressa.
É a sina do trabalho, que me exige quilômetros de textos digitados, provas sem-fim e incontáveis relatórios e planejamentos de aulas. E as horas vão passando enquanto minhas leituras prazerosas ficam de lado, com marcadores entre as páginas de tantos livros, à espera de seu ocupadíssimo leitor. Meu xadrez? Já nem sei. Quando posso, leio alguma coisa na internet, vejo fotos e imagino jogos que não jogo. Já não desenho – só faço uma infinidade de rascunhos e guardo numa das inúmeras e empoeiradas gavetas porta-projetos-inconclusos que existem em minha atormentada cabeça. E as horas vão acabando...
Amanhã começo tudo de novo.
TIC, TAC, TIC, TAC...

Um comentário:

Nani disse...

a relatividade do tempo é algo que chega a ser, de certa forma, cruel.
Passa lento quando não é bom,
Rápido quando gostamos,
Voando quando precisamos dele!