domingo, 4 de abril de 2010

De volta à virtude - mesmo que virtual.

___Distante de mim mesmo pelo tempo que me consumia. Eu sumia.
___Várias ideias (agora, sem o acento agudo!) apelavam por papel que as acolhesse, por internet que as difundisse, mas não houve tempo, não houve tino, não houve haveres. Simplesmente quedei-me na acomodação e deixei que tais e tantas ideias viessem, latejassem e partissem. "Mea culpa"!
___Estou de volta.
___Estou com pressa. Pressa de fazer algo acontecer - ainda não sei exatamente o quê. Sinto, aliás, uma invencível e incomparável necessidade de extravasar muita coisa. Sobre meus cansaços, sobre minhas angústias, sobre aquilo em que acredito e sobre o que já me fez perder a fé. Não em Deus, mas em minhas possibilidades. Finalmente percebi que sou finito.
___Há tempos venho pensando e só.
___Vou tentar retomar o papel de "percebedor de palavras". Acho que algo me vai fazer muito bem quando deixar de deixar o agora para depois e quando realizar - ao menos na tela ou em guardanapos de papel - o depois agora.
___A todos, "carpe diem".
___A mim - pois já o sei há muito -, "tempus fugit"!

A tantas horas... o agora!

incômodo.
palavras avulsas
antes presas na ponta da língua
saindo das pontas dos dedos
a cada toque,
a cada tecla,
a cada gole de vinho.

tinto o vinho.
retinta a noite.

um filme sobre solidão e dúvidas
passa na tevê
a tais e tantas horas
da noite ou da madrugada.
mais nada.
mais nada.

tenho vontade
de ter vontades.
de fazer, de pensar,
de ser, de tentar.
mas, nada!
mais nada.

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Há horas, como agora, em que é preciso saber fazer o tempo parar e depois passar.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Aforismo I


Às vezes acho que a gente é um bando de bonecos sem graça...

domingo, 31 de maio de 2009

O Velho na Calçada



Sentado, aos pés do luxo,


jeito de achar-se lixo,


um homem sem nome,


um velho:


Mãos calejadas estendidas;


olhos suplicantes,


marejados e desiludidos;


voz rouca, distante,


perdida - "Por favor, moço..."


O Velho pede um olhar fraterno.


_


As roupas rasgadas e desajustadas,


(nojo de quem passa)


a pele suja e maltratada,


(desprezo de quem vê)


cheiro de quem não sonha mais:


(pesadelo de todos)


o Velho. Um velho.


_


Sente-se nada ou nada mais do que um bicho.


Bichos são homens-seres sem nome


que saciam a inesgotável fome


no lixo!


_


O Velho olhou para mim.


Fraternalmente, um velho olhou para mim...


Mas não consegui lhe dar


mais do que uma moeda...




(Rafael Calvet)
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___Já se passou muito tempo, desde que esta epifânica situação me arremessou contra a folha de papel e minha máquina de datilografar...
___Creio que o velho de então já não mais existe. Mas a situação, esta, insiste!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O sono distante

____Tem sido difícil dormir bem. Aliás, simplesmente dormir tem sido muito, mas muito difícil mesmo. Não sei se é o descrédito no sonho - algo que vai muito além da insônia - ou se é a ânsia de não mais perder outro segundo dos milênios que já perdi, que já desperdicei com o sono, com as quimeras...
____Mais que a dificuldade de dormir, tem sido quase doloroso acordar.
____Enquanto isso, os ponteiros do tempo vão fugindo...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

sobre mim


_

_

sobre a mesa

papéis

sobras

de mim

sobretudo.

_

compromissos,

sem promessas,

ou premissas

de mim

contudo.

_

sobre mim,

sobram

os entretantos.

_

_

(Rafael Calvet)

terça-feira, 21 de abril de 2009

haicai tarde demais


a noite carrega

o cansaço pelo espaço;

só pra quem se entrega...



(Rafael Calvet)